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Torcida não tem culpa, mas 2017 é exemplo para 2018
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Torcida não tem culpa, mas 2017 é exemplo para 2018

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

O papel da torcida são-paulina em 2017 foi espetacular e exemplar em diversos aspectos. Estádios lotados pelo País, apoio durante os jogos, foco em ajudar o clube e quase sempre era criado um ambiente hostil ao adversário e favorável ao São Paulo. Quando o ano terminou, muitos destacaram que era daquela forma que uma torcida deveria se portar e o quanto ela foi importante no resgate e crescimento da equipe. Indiscutível, mas talvez seja preciso resgatar esse espírito em 2018.

Como já foi dito aqui algumas vezes, é compreensível que o torcedor esteja chateado, magoado, ansioso, impaciente ou qualquer adjetivo nessa linha que se queira usar. Mas, se houver o interesse em ajudar o clube, não tem cabimento que esse sentimento de frustração interfira na hora de ir aos jogos, de se manifestar ou até de cobrar. Quando isso é feito de maneira errada, só torna a evolução mais complicada.

Não, não quero ditar ou pautar como cada um deve se manifestar, quero apenas propor uma reflexão: será que a “torcida de 2017”, nesse começo de ano, não seria mais benéfica ao clube? Será que vaiar o time após as vitórias entre o fim de janeiro (!) e a primeira semana de fevereiro é a melhor forma de colaborar?

Por mais chato e cansativo que seja, é impossível ignorar o contexto, mesmo que seja repetitivo: foram apenas 14 dias de pré-temporada, sendo que na metade dela o time perdeu os dois melhores jogadores. Já são sete jogos em 2018, enquanto fizemos apenas um no mesmo período do ano passado, com mais que o dobro de preparação. Sem falar na atuação duvidosa no mercado e as polêmicas com Cueva, o melhor tecnicamente dos que sobraram. Impossível ignorar tudo isso, principalmente quando percebemos que todos os times estão tendo obstáculos mais complicados que o comum, cada um na sua realidade. Ninguém está jogando um bom futebol.

Nas sete partidas da temporada, com todo o contexto mencionado acima, já tivemos duas vaias pós-vitória de boa parte da torcida presente; vaias a um jogador com o jogo rolando, além de um coro de “burro” após uma substituição claramente por aspectos físicos. Isso sem contar no escândalo virtual após a derrota na estreia, como uma equipe reserva da reserva. No meu entendimento, isso mais atrapalha do que ajuda.

A presença também não tem sido a melhor possível. Nada que fuja muito da naturalidade (exceção ao ano passado, até pelo Rogério no comando técnico), mas fica uma decepção maior após a sintonia entre time e torcida até dezembro. A torcia que tanto exaltou os próprios feitos (com razão) parece ter esquecido a importância deles. Pior: substituiu por uma versão nociva, muitas vezes até pouco inteligente.

Repito: o sofrimento dos últimos anos torna compreensível toda uma ansiedade e impaciência, mas ela não pode estar acima da vontade de colaborar para a elevar a força do time dentro de campo. A cobrança, quando necessária, é importante e deve ser feita, mas, no começo de fevereiro, não há nada que justifique as muitas manifestações extremistas que têm acontecido. Vários torcedores já decretam o fracasso de toda uma temporada com menos de 10 jogos disputados.

É um desperdício e um prejuízo enormes deixar que uma situação emergencial como a do ano passado tenha feito a torcida agir de uma forma também pontual. Se ficou claro para todos que o papel do torcedor foi fundamental em 2017, por que não repeti-lo em 2018? Solidificar uma identidade e colaborar com o clube dentro de campo. Não há condições para o amor, e a torcida do São Paulo de 2017 entendeu isso melhor do que a de 2018 até aqui.

 

*Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.