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São Paulo precisa saber negociar por Scarpa; perfil de alguns atletas é arriscado
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São Paulo precisa saber negociar por Scarpa; perfil de alguns atletas é arriscado

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

Parece consenso pelos lados do Morumbi (e das Laranjeiras) que Gustavo Scarpa deverá jogar no São Paulo em 2018. As negociações de Raí com os cariocas só não estão mais avançadas por duas razões: a participação do Fluminense na Florida Cup e a ação judicial movida pelo atleta. E o segundo motivo traz duas preocupações.

A primeira delas é mais simples de resolver e, possivelmente, menos danosa. O Rei optou por buscar um acordo amigável com o Fluminense. Acredito que o ídolo realmente preze pelo bom relacionamento entre os clubes, mas também é uma decisão inteligente para tentar acelerar a negociação, integrando o jogador o quanto antes ao elenco. Além disso, evitar que um rival atravesse o acordo e, por fim, garantir que não haja margem para que a justiça tome alguma decisão que prejudique o São Paulo no decorrer do ano, com competições em andamento.

A principal questão é que a agremiação do Morumbi precisa entender o contexto das negociações. Enquanto Scarpa era jogador do Fluminense, a tratativa era uma. Agora, com o atleta, inclusive, desvinculado ao clube carioca (pelo menos até o momento deste texto), com reais possibilidades de o adversário perdê-lo de graça até abril, o cenário muda. O São Paulo está em grande vantagem na negociação e precisa entender isso, oferecendo ao adversário uma proposta condizente com a realidade.

A equipe das Laranjeiras tem apenas 40% dos direitos econômicos do atleta (pouco em uma eventual revenda) e está buscando jogadores para compor o elenco em 2018. Se antes era oferecido R$ 11 milhões mais três atletas (um deles em definitivo), seria razoável que essa proposta baixasse, principalmente a quantia em dinheiro, devido à provável saída do meia de graça se não houver entre as partes que o faça retirar a ação na justiça.

Agora, o problema seguinte e mais preocupante: não tem como ver a atitude do jogador em 2017, além desse caso judicial, e não pensar que ele pode fazer algo muito próximo no São Paulo. Não digo que ele não esteja correto em ir atrás dos seus direitos na justiça, após não receber salários e direitos de imagem, mas a maneira como está sendo conduzida toda a história por ele e seus agentes.

A empresa que gerencia a carreira do jogador é a mesma que trata da carreira do Zeca, lateral santista que também se desvinculou do clube através da justiça. Scarpa nem sequer se reapresentou no Rio de Janeiro ou deu alguma satisfação do que faria. Some-se a isso o controverso Diego Souza, que também não se reapresentou ao Sport, terminou a temporada passada vaiado pela torcida e coleciona alguns problemas em outros times, e Cueva, que não é de hoje que mostra pouco se importar com o clube e está a cinco meses de uma Copa do Mundo histórica com seu país, algo que ele realmente valoriza. “Arriscado” é o mínimo que se pode dizer com o perfil de alguns jogadores.

Vale lembrar que dois fatores foram tratados como unânimes para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro: a torcida e a dedicação, caráter e entrega dos jogadores. Para 2018, o time perdeu Pratto, Hernanes e Lugano (ainda que o uruguaio possa voltar, mas em outra função), ficou com Cueva, trouxe Diego Souza e está próximo de Gustavo Scarpa, que tem grande qualidade, mas um perfil duvidoso, que pode ou não se engajar com as necessidades do clube e/ou forçar uma saída traumática quando for conveniente.

Se a comissão técnica e o novo corpo diretivo, formado por grandes ídolos e nomes respeitados no futebol, conseguirem manter os atletas concentrados e buscando o melhor não só individualmente, mas coletivamente, todos possuem qualidades técnicas que podem tornar o São Paulo competitivo. Vale ressaltar que os próprios atletas, por si só, podem ter uma postura diferente das anteriores, com amadurecimento profissional, mas, hoje, o melhor termo para as algumas peças é “arriscado”.

 

*Imagem: Rudy Trindade/FramePhoto/Estadão Conteúdo

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.