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Raí é a última cartada de Leco para o futebol: evolução ou caos
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Raí é a última cartada de Leco para o futebol: evolução ou caos

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

A semana do São Paulo ficou marcada pela troca no comando do futebol: Vinicius Pinotti anunciou, inesperadamente, que não seria mais o diretor executivo, alegando divergências com o rumo que a gestão estava tomando. Para o seu lugar, o eterno Rei Raí aceitou o convite e passará a ocupar o cargo, mas ainda é difícil saber se o ídolo conseguirá organizar o principal setor do clube.

A saída repentina de Pinotti colocou lenha em uma fogueira que estava com a chama ainda forte, mas aparentemente controlada: a política são-paulina. Independentemente de qualquer opinião sobre o ex-diretor, a forma como se deu o desligamento é preocupante por não sabermos o que realmente aconteceu para chegar a esse ponto. Até então, não havia nenhum indício de algo que pudesse explodir dessa maneira e descobrir o estopim é importante. O substituto também tem muita importância na continuação da história: Rei Raí parece ser a última cartada de Leco para acertar o futebol do clube e evitar uma nova ebulição política que pode afetar, entre outros setores, o campo.

Raí já teve uma passagem em um cargo semelhante, em 2002: saiu após três meses, certamente assustado com o que viu nos bastidores. Esse fator é o que torna Raí a última cartada: o lendário camisa 10 não vai se submeter, como já mostrou, a sujeiras, trapaças ou alguma grande desorganização. Pelo contrário: se detectar algo parecido, pedirá demissão imediatamente e desencadeará uma série de questões políticas e de gestão. O mandatário sabe disso e deve ter confiança no trabalho e no planejamento do ano que vem para ter convidado o ídolo.

Para tentar simplificar: ninguém criticará a escolha do atual diretor, um dos maiores nomes da história da instituição, para o cargo. Além disso, o herói do primeiro mundial terá tranquilidade para trabalhar por um bom tempo, com alguma margem para eventuais equívocos pelo tamanho de sua figura. Porém, em caso de fracasso, de uma saída abrupta de Raí, indicando grande incompetência ou má intenção, ou de uma má condução do presidente com outro ídolo, uma crise política muito séria poderá se instalar e os caos voltará com força ao clube, trazendo, inclusive, o que há de pior na política são-paulina à tona.

O Rei chega credenciado não apenas por sua figura, mas por tudo que fez desde que largou o futebol, há 17 anos. Bem-sucedido em diversos projetos sociais e empresariais, além de ter um nível cultural e intelectual bastante acima da média, concluiu, segundo o site oficial do São Paulo, o Mestrado Executivo da Uefa para Jogadores Internacionais, curso que durou dois anos. Aliás, não é recente a preparação do ídolo na área de gestão esportiva.

A principal questão que cerca sua escolha é: poucos conhecem o quão capacitado o craque é em termos de negociação, uma das principais atribuições do cargo. É função do diretor buscar bons negócios no mercado com o dinheiro e os jogadores que tem. Menos importante, também teremos que saber como ele se sairá com o dia a dia diferente de sua rotina, precisando ficar grande parte do tempo no CT, em uma atividade mais burocrática. A comparação com Pinotti é pouco relevante àqueles que consideram o ex-homem forte do futebol um fiasco, porque não podemos nivelar a análise de um dos principais cargos da instituição por baixo, especialmente em um momento delicado como o atual.

Raí traz consigo um sentimento muito parecido de quando Rogério foi anunciado como técnico: não sabemos se é a melhor opção ou qual é o real preparo do escolhido, mas é uma sensação indescritível ver o Rei de volta ao protagonismo no São Paulo. A boa notícia é que o eterno 10 parece mais preparado que o eterno 01.

 

*Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.