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Pré-temporada não é brincadeira
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Pré-temporada não é brincadeira

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

Em um dia como hoje, mas no ano passado, ainda estávamos a três dias de ver o São Paulo estrear oficialmente em 2017. Atualmente, em um calendário ainda mais apertado em ano de Copa do Mundo (algo já falado bastante por aqui), o Tricolor terá feito seis jogos em 2018 em um intervalo de tempo que nem sequer teria jogado o primeiro na temporada passada. E já chovem críticas em relação ao desempenho em campo, com absolutamente qualquer coisa virando motivo para instalar uma pressão completamente desproporcional.

Eu entendo (e também vivi) perfeitamente as chateações, humilhações e decepções dos últimos anos, mas não dá para despejar inúmeras frustrações em um trabalho que nada tem a ver com isso. A cobrança pela perfeição desde o primeiro jogo do ano é desproporcional e nociva para a construção de um time competitivo. Não dá para ignorar a falta que a pré-temporada faz na preparação física e tática dos atletas.

A comparação com alguns rivais nessa temporada também é descabida. O Santos perdeu para o Bragantino em plena Vila Belmiro e foi buscar o empate contra o Ituano no último minuto de jogo, no Pacaembu. Mas, como o time do litoral venceu bem na estreia, já são exemplos de times que “estão jogando bem”; o Palmeiras, com todo o dinheiro e, atualmente, melhor elenco do Brasil com sobras, está 100% e, mesmo assim, sofreu demais no primeiro tempo contra o Botafogo, que foi muito superior; o Corinthians perdeu na estreia da Ponte Preta e precisou de auxílio da arbitragem para virar contra a Ferroviária e bater o São Paulo, em um jogo de igual para igual. As mesmas dificuldades são vistas no Rio Grande do Sul, com o Grêmio ainda de “férias” e o Internacional quase eliminado para o Boavista pela Copa do Brasil; no Rio de Janeiro, onde apenas o Flamengo está tranquilo (e usando um time com garotos durante as primeiras rodadas, algo condenado por parte dos são-paulinos após a estreia); em Minas Gerais, em que o Atlético-MG é apenas o quinto colocado do fraquíssimo estadual mineiro, e por aí vai…

Sobre o trabalho de Dorival, já falei em diversos textos por aqui. A diferença coletiva em 2017 para o time entre abril e julho e o de setembro ou outubro é muito maior do que a chegada de um grande jogador pode proporcionar, mesmo que esse atleta seja fundamental para a melhora dos resultados. Há 15 dias, o técnico perdeu os dois melhores jogadores do time em uma temporada que começou há 29 dias. Mesmo assim, trabalha com o que tem para evoluir e alguns sinais são positivos, como no clássico contra o Corinthians, em que a equipe teve a posse por quase (ou mais de) um minuto, majoritariamente no campo de ataque, e a jogada terminou com o zagueiro adversário tirando a bola em cima da linha. No lance seguinte, mesma jogada e gol mal anulado.

No futebol, não há uma fórmula exata para ser campeão. Mesmo assim, ainda em janeiro, muitos já decretaram o fracasso do ano do São Paulo, de seu técnico e tudo o que for relacionado. É óbvio que isso pode acontecer, mas, hoje, tal afirmação só pode ser fruto de uma bola de cristal imaginária.

Um exemplo de como tudo no São Paulo está virando crise: quando foi anunciado que Araruna substituiria Petros na Copa do Brasil, grande parte dos torcedores quase enlouqueceram pelo escolhido não ser Hudson. Não era difícil saber que o camisa 25 passava longe da forma física ideal após a grave contusão que teve dia 28/10. O próprio volante, no dia da partida contra o Madureira, teve uma entrevista divulgada explicando ainda sentir dores. Absolutamente nada passa sem uma tempestade em copo d’água.

A mais recente, inclusive, foi a atuação diante do Madureira. Com o contexto apontado nos primeiros parágrafos e um time que jogava pelo empate, qual seria a razão para se matar em uma partida dessa? Mesmo com o freio de mão puxado, Militão terminou o jogo com a mão na virilha e Marcos Guilherme, por volta dos 40 do segundo tempo, com as mãos apoiadas no joelho e a cabeça baixa, com o jogo rolando. Mas, se o torcedor não entende o processo de preparação, tudo isso é ignorado e distorcido.

É fato que o papel da torcida foi muito importante em 2017, mas isso não dá “crédito” para o torcedor atrapalhar no ano seguinte. Cobranças devem sempre ser feitas quando necessário, mas críticas descabidas e desproporcionais só dificultam ainda mais o caminho do clube em voltar às glórias. Mas uma coisa é verdade: nesse sentido, quem está do lado de fora só pode atrapalhar indiretamente, o erro maior está com os profissionais dentro do clube que, sem convicção, cedem à pressão de quem não tem o preparo necessário para decidir o futuro da instituição.

 

 

*Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.