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Para que serve o Paulistinha?
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Para que serve o Paulistinha?

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

 

Todo começo de temporada é a mesma rotina: animação geral pela volta das competições oficiais para o nosso time do coração. E nem poderia ser diferente. Mas também sempre a mesma discussão: para que serve o campeonato estadual? Pelo título do texto, muitos já devem ter percebido o quanto eu desgosto dessa competição, mas é inegável que ela tem algumas utilidades. Infelizmente, vencê-la fica em segundo plano.

Acho válido começar explicando que só tem uma coisa que eu sou mais do que competitivo: são-paulino. Quero ver o Clube ganhando até jogo-treino e fico extremamente aborrecido quando isso não acontece. Mas é mentiroso falar que todos os jogos e campeonatos são iguais. Não são. As eliminações aborrecem muito mais pelo jogo em si (seja a derrota para um pequeno ou em um clássico, cada um na sua circunstância) do que pela queda na competição. A taça do Paulistinha, hoje (hoje!), equivale a um troféu de pré-temporada.

Dito isso, vamos às utilidades do torneio: serve, primeiramente, para o time pegar entrosamento e ritmo de jogo. Se organizar para o restante da temporada e ter alguns jogos para que a evolução possa ir acontecendo, entre um jogo da Libertadores e outro. Serve para, eventualmente, testar novas formações e estratégias de jogo. E, também, para dar cancha aos atletas mais jovens e com menos experiência, principalmente os que acabaram de subir para o time profissional.

Pela segunda vez, nas três últimas participações, que vamos à Libertadores, teremos que passar pela primeira fase, a popular “pré-Libertadores”. Isso prejudica os dois primeiros tópicos citados acima, afinal o segundo jogo do ano já tem uma importância colossal. Mesmo assim, é possível se programar para utilizar de maneira realmente relevante um campeonato que se tornou tão pouco importante.

Não sou totalmente contra o Paulistinha, mas sou totalmente contra a forma como ele é feito hoje. São 15 jogos só na primeira fase. Alguns contra equipes como o Água Santa, em meio a um mata-mata de Libertadores. Não dá para levar a sério. Porém, perder gera uma pressão grande e muitas vezes com razão, até pela diferença em todos os sentidos, mesmo com o time reserva do São Paulo.

Não me incomodam os 10 anos sem ganhar esse título. Me incomoda mais não aproveitar a competição como se deve. Se perdesse, mas com dignidade e mostrando evolução na equipe, seria bem diferente do que aconteceu em muitos dos últimos anos dessa década que se passou. E com Bauza tentando acertar o elenco, aproveitar essa “pré-temporada oficial” será de extrema importância para o resto do ano, principalmente porque no Brasil a pré-temporada de verdade quase inexiste.

Em tempo: isso não faz, pelo menos para mim, diferença na hora de ir ao estádio. Os jogos têm importância diferente para o Clube, mas todos têm São Paulo Futebol Clube em campo, o que já é importância suficiente para me fazer ir ao jogo, independentemente do contexto. Nenhum torcedor é tão ilustre a ponto de deixar de ir a determinado jogo porque “não vale nada”. Com o São Paulo jogando, sempre vale. E o Clube sempre precisará do seu torcedor.

É válido lembrar que isso é a minha visão. Entendo quem viveu épocas em que os campeonatos regionais eram incrivelmente empolgantes e importantes. Infelizmente, o tempo mudou. Que possamos nos adaptar. Visando o título sempre, mas sabendo que, por incrível que pareça, trata-se de um campeonato onde o investimento na temporada é mais importante que a taça.

 

 

*Imagem: Tuca Vieira/FolhaImagem

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.