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Copinha foi ótima; clube tem vários nomes com grande potencial
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Copinha foi ótima; clube tem vários nomes com grande potencial

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

O São Paulo chegou à final da Copa São Paulo, a principal competição de base do País, e acabou derrotado para o Flamengo em uma partida que deixou duas coisas bastante claras: o Tricolor era o melhor time da competição, conseguindo aplicar o seu estilo de jogo em uma decisão e atrás no placar desde o segundo minuto, e, mesmo com alguns garotos já integrados ao profissional, mostrou ótimos talentos para o time de cima, que é o principal.

Sempre fui contra o discurso que “base é só para formar, não importando o resultado” por duas razões: os meninos precisam ter uma mentalidade vencedora desde cedo, com vontade de ganhar e sentindo a derrota, e porque a cultura no Brasil não permite esse tipo de afirmação. Se você tiver uma grande geração, mas que fracasse em campeonatos, certamente terá bons talentos sendo desperdiçados por ali, porque só temos o costume de dar atenção às vitórias e conquistas, mesmo nas divisões inferiores.

Cotia consegue mesclar esses aspectos muito bem. Segundo Michael Serra, historiador do clube, desde que foi inaugurada, o Centro de Formação de Atletas conseguiu 58 títulos nos 12 anos. Jardine, técnico do sub-20 há praticamente três anos, conseguiu potencializar os aspectos de vitórias e revelações, com um trabalho espetacular não apenas em termos de resultado, mas de noções de jogo e com uma organização impecável nos times que dirige, algo que auxilia demais os garotos no momento de integração ao profissional.

Nesta Copinha, mesmo com alguns “desfalques”, o time mostrou um futebol sólido e peças muito qualificadas, principalmente por ainda não terem completado o seu processo de maturação. Somando alguns aspectos, como personalidade, qualidade técnica, noção tática, necessidade da equipe profissional etc., várias peças se mostraram prontas para ajudar (o que é diferente de resolver os problemas) o São Paulo ainda neste semestre ou, no máximo, este ano. Falaremos dos principais destaques.

Liziero

Volante de origem, desde o ano passado tem jogado algumas partidas na lateral-esquerda, mas ultimamente, mesmo escalado por ali, tem sido um dos principais organizadores da equipe, caindo por dentro para ajudar na construção e saída de bola. Durante a Copinha, incluindo a semifinal e o primeiro tempo da final, foi escalado como volante, posição que mais me agrada para ele. Impressiona a noção de espaço do garoto de 19 anos (fará 20 em duas semanas), além da qualidade técnica e visão de jogo. Honestamente, é um desperdício tê-lo como lateral. Consegue distribuir o jogo com uma qualidade invejável e tem um recurso fundamental no futebol de hoje: a bola longa, além da capacidade para ditar o ritmo no meio campo, com boa noção de quando acelerar, quando segurar, quando sair curto e quando virar o jogo. Foi o melhor e mais regular nessa Copinha.

Luan

Volante com grande força física. Foi pouco falado na competição, mas se mostrou muito próximo da maturação que é preciso para estar no profissional. Além da força física, tem boa técnica e um potencial imenso para fazer a função de área a área, tendo boa noção de cobertura defensiva, bom combate para desarmar e sabendo chegar à frente para infiltrar, trabalhar a jogada e até concluir. Nesta edição, mostrou competência ofensiva e tática nos jogos em que o time foi superior e esteve em vantagem no placar, mas também mostrou atributos defensivos no único jogo em que o São Paulo teve seu estilo incomodado (contra o Vitória, pelas quartas de final). Nessa partida, com o time em desvantagem, liberou Liziero e os outros homens de meio campo e fez um trabalho essencialmente defensivo, se saindo muito bem. Fará 19 anos em maio.

Toró

Jogador de lado de campo e artilheiro improvável da Copinha, com 6 gols (ao lado de outros cinco atletas). Ano passado, também fez seis gols na competição, pelo Primavera, e chamou a atenção do São Paulo, onde seu contrato de empréstimo vai até março de 2019 (caso queira, o clube não deve ter problemas para adquiri-lo em definitivo). Mostrou muita personalidade para chamar o jogo quando o time precisava e ir para cima dos marcadores. Tem boa velocidade e boa capacidade para finalizar, além do drible, características que mais estão em falta no profissional. Chamou a atenção também pela noção tática. Atuou pelo lado de Liziero quando o camisa 6 era escalado na lateral e fazia uma recomposição muito boa, auxiliando bastante na estrutura coletiva do time. Dos três, é o que mais tem aspectos técnicos para aperfeiçoar (longe de estarem ruins), mas suas qualidades podem torná-lo muito importante no time de cima. É outro jogador que fará 19 anos em maio.

 

Esses são os três que considero os mais próximos de estarem com a maturação adequada para o profissional. Abaixo, outros quatro nomes que demonstraram excelente potencial e podem crescer muito na transição para a equipe de Dorival Junior.

Walce

Não fez uma Copa São Paulo ruim, mas ficou abaixo do potencial que tem. Zagueiro com boa estatura e excelente jogo aéreo (apesar da falha de marcação na final), tem boa técnica para a posição e bom combate na hora do desarme. Ainda peca um pouco na velocidade e na afobação, recebendo um número alto de cartões. Se bem trabalhado, pode evoluir e melhorar o posicionamento para evitar correr atrás dos adversários, que não é seu forte. Ano passado, foi improvisado na lateral-direita e se saiu bem, mas com características defensivas, como Militão no profissional. Seus bons desempenhos como zagueiro devem evitar que ele volte a ser improvisado. Também demonstra personalidade e fará 19 anos na próxima semana.

Cássio

Volante ao lado de Luan até a semifinal, tem características mais defensivas que o companheiro (se complementam bem). Lembra, em alguns aspectos, o Jucilei atualmente, com o camisa 8 chegando menos ao ataque que em sua primeira passagem pelo Brasil. Precisa melhorar um pouco a saída de jogo, que não é tão refinada, mas preenche o campo defensivo com muita competência e também se destaca nos desarmes e na disputa corpo a corpo, mesmo não sendo tão forte. Com características que fizeram o São Paulo sofrer na ausência de Jucilei ano passado, pode ser importante se conseguir evoluir seu jogo no profissional. Completará, em junho, 19 anos e vem evoluindo bastante no sub-20.

Igor Gomes

Camisa 10 do time e muito comparado ao Kaká (até pela suposta semelhança física), tem boa técnica e finalização de média distância, além de facilidade para entrar na área e finalizar a jogada. Se movimenta bem, mas precisa melhorar o passe vertical e, em alguns momentos, soltar a bola mais rápido para melhorar a dinâmica do jogo. Não se omite, ótima característica até pela posição que ocupa, e demonstra ter boa cabeça para aprender no time de cima e evoluir. Também é uma posição carente no time de cima, até porque não se pode contar com Cueva. Completará 19 anos em março.

Helinho

Em termos de potencial, é disparado a maior promessa são-paulina dessa Copinha (e possivelmente de toda a competição). Meia-direita e canhoto, ganhou a titularidade durante a competição e mostrou uma maturidade assustadora. Inclusive, durante a final, foi o jogador mais acionado e não se intimidou. Tem muita qualidade no drible, na movimentação do lado para dentro e enorme facilidade para driblar para ambos os lados, quebrando a marcação rival dessa forma. Ainda é muito franzino e precisa ganhar mais massa para o jogo profissional. Fora isso, evoluir em alguns pequenos aspectos naturais da idade: o momento de ir para cima do marcador em direção ao gol, o momento de acalmar o jogo, o momento de acelerar, de tocar… Um pouco parecido com alguns equívocos do Lucas no começo da carreira. Por fim, melhorar um pouco a qualidade da perna direita, bastante usada por ele quando dá os dribles em direção ao fundo. De qualquer maneira, o garoto, que fará apenas 18 anos em abril, demonstra muita personalidade e potencial gigantesco para se tornar uma das maiores revelações do futebol brasileiro.

 

Vale ressaltar: essas são as características dos jogadores ainda na base. A transição para o profissional pode potencializá-las, omiti-las ou demorar um tempo para ser aprimorada e adaptada ao jogo adulto. Assim como outros jogadores também podem ser úteis mesmo sem grande destaque no time júnior. O exemplo mais recente é o de Luiz Araújo, que passava longe de ser o grande nome da categoria (apesar da inesperada artilharia no título da Libertadores sub-20) e teve um desempenho melhor no profissional.

Uma coisa é certa: o papel do São Paulo na principal competição de base em 2018 foi excelente. O título não veio por falhas de finalização em um jogo que o time se impôs de maneira admirável contra o oponente. O futebol permite que situações como a de ontem aconteçam e é de se destacar a entrega e a raça de todo o elenco. Nestes aspectos, o exemplo que fica dessa geração (não apenas pela Copinha) é exemplar. Nos resta torcer que a transição seja tão bem-sucedida quanto a expectativa que os garotos merecidamente geraram.

 

 

*Imagem: Célio Messias/saopaulofc.net              

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.