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Cláusula de Hernanes é incriticável; Pratto precisa ficar
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Cláusula de Hernanes é incriticável; Pratto precisa ficar

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Por: Gabriel Pereceni (@perecenispfc01)

O São Paulo viu a última quinta-feira (4) apresentar dois enormes problemas: as possíveis perdas de Hernanes e Pratto antes da estreia na temporada. Se por um lado não há o que se criticar em relação à cláusula do meia, a movimentação do clube no mercado é, no mínimo, discutível, além da necessidade de manter Pratto e finalizar qualquer especulação sobre o assunto.

Começaremos pelo Profeta: é uma desonestidade intelectual ignorar todo o contexto da sua chegada e dizer que a saída antes do término do contrato é absurda. Vamos aos fatos: Hernanes chegou cinco meses e meio após ser contratado por 10 milhões de euros pelo Hebei Fortune (CHI). Chegou de graça e com o São Paulo pagando apenas 25% do seu salário, o que se encaixa no teto do clube. Por fim, foi anunciado no penúltimo dia da janela de transferências e com o time em situação crítica no campeonato. Não havia mais tempo para negociar e os chineses só queriam cedê-lo por seis meses. A contratação foi providencial para evitar o rebaixamento e só foi possível com essa cláusula que permite sua volta a qualquer momento em 2018.

A parte criticável é a postura atual no mercado, pagando praticamente R$ 10 milhões por um goleiro jovem e com apenas uma temporada como titular (ou seja, sem garantia alguma que atingirá imediatamente o nível que precisamos), além da tentativa fechar com Diego Souza, um nome bastante contestável, por cerca de R$ 8 milhões. Quantia alta por incógnitas enquanto não encontramos solução para tentar manter o principal jogador.

Apenas um ponto importante: é verdade que o clube não aparentou ter achado uma maneira de manter o camisa 15 ou até comprá-lo em definitivo, mas em nenhum momento vimos Hernanes manifestar desejo em reduzir significativamente o seu salário para ficar. Pouco adianta a agremiação se acertar com os chineses e o meio-campista não entender que não há condições de receber nem sequer 50% do que ganha atualmente (incluindo o que é pago também pelo Hebei).

Sobre Pratto, o cenário é outro: o São Paulo é dono dos direitos federativos do jogador e não tem motivos para ceder. Como disse no último texto (clique aqui para ler), o argentino é profissional o suficiente para, mesmo que tenha desejo de sair, ouvir que é fundamental para o clube e ficar sem fazer bico ou corpo mole. Resta bater o pé e mostrar ao camisa 9 sua importância dentro de campo e do vestiário.

A venda do centroavante seria uma sucessão de erros. O valor estipulado pelo River Plate (ARG) é baixo, inclusive menor do que o pago há um ano; não há reposição à altura no mercado (Diego Souza e Aloísio, por exemplo, passam longe disso); e seria outro líder deixando o elenco. Também mostraria a fraqueza do São Paulo no mercado de uma maneira geral, não conseguindo segurar praticamente ninguém e com o clube sempre servindo de “ponte” para outro objetivo do atleta. Por fim, enfatizaria o que já era óbvio na época: a venda de David Neres seria um erro ainda maior, já que Pratto foi contratado com grande parte desse dinheiro.

Serão dias (talvez semanas) complicadas no Morumbi. A agremiação se depara com situações delicadas envolvendo dois pilares da equipe e não pode, de forma alguma, perder ambos. A menos que não queira mudar radicalmente a narrativa da última temporada.

*Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.