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A reação exagerada à entrevista de Leco joga contra o Clube
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A reação exagerada à entrevista de Leco joga contra o Clube

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

 

Na última quarta-feira, antes dos jogos do São Paulo na Copinha e do amistoso contra o Cerro Porteño, no Paraguai, a torcida são-paulina já se agitava: o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, concedeu entrevista ao jornal Folha de SP e, dentre outros assuntos, admitiu ajudar as principais torcidas organizadas do Clube com a concessão de ingressos e uma quantia anual de R$ 150 mil para o Carnaval, que é dividida entre a Independente e a Dragões da Real. Isso pareceu causar, por incrível que pareça, espanto a muitas pessoas e gerou algumas atitudes completamente irracionais de alguns torcedores, como o cancelamento do Sócio Torcedor (ST).

Vamos por partes. A primeira delas é: não é possível que algo óbvio como isso tenha chocado tanta gente. É muita inocência. E não estou falando que é certo, estou falando que qualquer pessoa que vive minimamente o futebol sabe que isto é uma prática absolutamente comum. Na década de 90, inclusive nos gloriosos anos que tivemos, principalmente entre 91 e 93, havia também o financiamento de ônibus para viagens em jogos como visitante. Em outras palavras, não é isso que faz um time vencedor ou não. E repito: não estou dizendo que é correto.

Dito isso, vamos ao próximo ponto: o que cancelar o Sócio Torcedor ou boicotar qualquer coisa relacionada ao Clube tem a ver com este fato? Alguém acha que isso resolverá alguma coisa? Ou que as Torcidas Organizadas (TOs) deixarão de receber algum benefício graças a essa atitude? Atos assim apenas prejudicam a instituição, não trazem nada de positivo e muito menos servem para algum tipo de protesto ou manifestação. Simplesmente deixa o time sem uma receita importante. Provavelmente os que estão cancelando são aqueles que, mais tarde, pedirão grandes reforços ou farão campanha de adesão ao mesmo Sócio Torcedor, como houve recentemente.

Uma pessoa ligada ao marketing do São Paulo disse, em setembro de 2015, que uma das grandes vitórias do ST foi diminuir sensivelmente o número de cancelamentos. Antes, uma série ruim de jogos já resultava em uma queda brusca. Agora o número consegue se manter em uma constante. Isso será jogado fora à toa? Não faz muito tempo que, graças a um episódio muito pior e que também envolvia as TOs, houve campanhas para o cancelamentos dos planos. Reconheci, no segundo semestre do ano passado, as mesmas pessoas chamando os torcedores de volta e citando a importância de ser ST. É preciso pensar antes de agir.

Para finalizar o raciocínio: o que as pessoas que se mostraram incrivelmente indignadas, como se uma grande novidade tivesse sido contada, sugerem que façam? Porque parece que é muito simples chegar para a Torcida Organizada e falar: “Ei, não temos mais relação alguma. Vocês não terão ingresso, nada. Um abraço!”. Realmente é muito brilhante dizer que “é só cortar e pronto”, como se não houvesse política e diversos outros fatores envolvidos.

E esse raciocínio se estende quando dizem que “o clube precisa ser punido pelos atos dos organizados”. É a mesma coisa que querer prender um pai que paga o aluguel do filho porque o garoto transformou a casa em um ponto de drogas. Que culpa tem o pai? Ao invés de querer punir, porque não sugerem que algo seja feito? É muito fácil punir porque “dá ingresso para entrarem”.

Minha opinião é que, em um mundo perfeito, ninguém receberia benefícios neste sentido. Mas, infelizmente, não é assim que funciona. Com o Leco, pelo menos os ônibus para viagens já foram cortados e não veremos o presidente da instituição arrumando a gravata do presidente da Organizada ou atendendo, em seu celular particular, representantes da uniformizada, como era com o antecessor. Uma tempestade em um copo d’água se formou sem a menor necessidade.

O que realmente me incomodou na entrevista foi ver que dificilmente algo será feito em relação à antiga gestão. E isso não é apenas culpa do Leco. Ele formou uma comissão de ética para investigar o caso e o agora presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo, decidiu trocar todas as pessoas por nomes que são extremamente favoráveis ao ex-presidente e seus aliados, dificultando qualquer investigação mais rígida. Enquanto isso, notícias antigas ficam sendo “requentadas” pela imprensa, sabe-se lá a mando de quem, atacando a atual gestão que faz um trabalho muito bom (pelo menos até aqui).

É muito estranho que o vice-presidente de comunicação e marketing, José Francisco Manssur, seja sempre atacado sem mais explicações. Assim como o Gustavo, sobrinho do Raí, que apesar de receber uma comissão por lucro em cima da venda de jogador, trouxe até agora nomes que não gerarão lucro futuro, como Mena e Calleri (este último, se vier, será por empréstimo); Lugano, que se aposentará aqui, e Kieza, já com 29 anos.

É fato que há um fantasma na cabeça do torcedor graças, principalmente, à última gestão, mas é preciso entender que um trabalho aparenta estar começando muito bem e se preocupar com algo que não vai mudar, como os ingressos para Organizados, e jogar contra o Clube a troco de nada, como cancelar o ST em um momento difícil, só prejudicam o time para o qual torcemos.

 

P.S.: escrevo esse texto no dia 22, aniversário do maior ídolo de nossa história. Gostaria de deixar registrados os parabéns àquele que, por 25 dos seus 43 anos, dedicou sua vida de corpo, alma e coração ao que eu mais amo na vida: o São Paulo Futebol Clube. Parabéns, Rogério, do fundo do meu coração. Você merece sempre tudo que de melhor possa existir. Todos têm ídolos, só nós temos Rogério Ceni. Para sempre.

 

 

*Imagem: Gabriela Di Bella/Folhapress

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.