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Contos do metrô
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Por: @falabandana

 

Pessoal da torcida tricolor!

 

Dia desses, no metrô, escutei, de orelhada, uma menina comentando com o namorado: 
” Não entendo o futebol. Uns marmanjos correndo atrás de uma bola. Quando é criança a gente até entende, mas… né?”,  e antes da confirmação do namorado emendou – pelo menos é um esporte com bola. Porque esporte sem bola eu nem respeito. 
Na frente da menina um cara vestindo a camisa do rival, provavelmente o que despertou nela o comentário, olhava para a janela com a ansiedade de quem estava indo pro jogo. Provavelmente sequer escutou o que estava sendo dito.

Eu, olhando de longe comecei a pensar… O que se tem pra entender do futebol? Por que é tão importante racionalizar algo que evidentemente se relaciona melhor no campo das emoções?
A verdade é que as paixões, principalmente as incuráveis, trazem confusão àqueles que não as vivenciam. Mesmo que vivenciem alguma outra com a mesma intensidade.

Seja filme, série, música, teatro, livros, quadrinhos ou vídeo games… seja pintura, ginástica, viagens, internet ou coleção de qualquer coisa…  o ser humano tem maneiras bastante peculiares de se entreter nos tempos de folga. E essa é a parte da vida na qual se sente mais autêntico, já que tudo o que faz é por escolha. Quando encontra pessoas que partilham do mesmo sentimento, há um elo que se fortalece a cada vitória, empate ou derrota de seu time.

Assim é o futebol. E assim estava eu naquela manhã no metrô, irritado por não estar na final e começando a projetar o que seria o próximo jogo. Confesso, as férias forçadas me trouxeram certa angústia. Esperava chegar às finais do Paulista e sei que o time tinha condições de se classificar, mas enfim… mais uma dolorosa página do que é ser torcedor.

A irritação de não estar nas finais foi substituída, naquele momento, pela  ansiedade do jogo seguinte. O tempo pra ajustes aconteceu e a vontade de ver o quanto o time assimilou do que o novo técnico e eterno Capitão tenta implementar foi tomando conta dos meus pensamentos. Os testes foram feitos na pré-temporada e agora veremos até onde esse elenco e comissão podem chegar.

Vida de torcedor é assim: a gente olha pra frente, sem esquecer o passado ou a história (mas sem os usar de muletas, também) e projeta a próxima luta que é o que se tem pra fazer em tempos de reconstrução. É difícil, sem dúvida, mas penso que estamos no caminho e que ainda teremos algumas alegrias este ano.

Vaga na Libertadores para a próxima temporada é o que espero e penso ser bastante razoável conquistá-la no Brasileiro com o time que temos. Sul Americana é possível, mas será um belo desafio por se tratar de mata-mata. Um bom treino para o ano que possivelmente encontraremos no ano que vem…
A menina do metrô não faz ideia do que está perdendo…

 

 

*Imagem: http://blog.pittsburgh.com.br

FalaBandana Terceira geração da linhagem tricolor de minha família, meu pai me deixou escolher o time do coração com uma única restrição: Tinha que ser grande, da capital e ter três cores. Por conta da dramática conquista de 1986 com o salvador gol de Careca no último minuto, acredito sempre até o último lance do jogo. Ídolos: Zetti, Raí e Rogério Ceni.