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O sonho de criança que se tornou real

O sonho de criança que se tornou real

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O sonho de criança que se tornou real

Por Larissa Prado

19 de agosto de 2005. Chego em casa já ansiosa. No dia seguinte, teria jogo do São Paulo e, nele, teria a chance de ver aquele que sempre foi meu ídolo: Rogério Ceni. Minha mãe entra em casa perguntando se eu topo um “programa de índio”: procurar em qual hotel o time ficaria. E fomos as duas, à pé, pelo centro de Curitiba, onde moro, procurar nos principais hotéis. Nenhuma movimentação. Cansadas, resolvemos tentar passar uma última vez em cada hotel. No último deles, na porta, estavam parados Milton Cruz e Paulo Autuori. Tinham acabado de chegar.

Não lembro muito bem como foi o contato inicial, mas me lembro que falei, ainda muito tímida, que meu sonho sempre foi conhecer Rogério. Autuori falou que, como tinham acabado de chegar, estavam cansados, mas que era para voltarmos no dia seguinte que ele me levaria para conhecer o M1TO. Ainda, em um gesto de extrema gentileza, ficou com nossa bandeira e pegou o autógrafo de todos os jogadores para nós. Quase indo embora, Milton Cruz comenta sobre meu uniforme. Rogério tinha contado que estudou naquele colégio. Milton pediu para que eu fosse com a camiseta da escola no dia seguinte. Saí de lá duvidando e triplamente ansiosa.

Mal consegui dormir naquela noite. Acordei e fomos para o hotel. Milton Cruz liberou nossa entrada e fomos para a porta do restaurante esperar. Eis que aparece Rogério Ceni. Foi como ver Deus. Fiquei imóvel, não tinha reação. Gentil como sempre, passou cumprimentando a todos, até que viu minha camiseta do Colégio Bom Jesus. Meio surpreso, como quem não vê algo há tempos, me solta um “eu estudei nesse colégio!”. Era verdade. Se para mim, hoje, isso já é muito legal, naquela época, com 10 anos, era como se eu estudasse em um lugar abençoado.

Depois do almoço, Ele veio atender àqueles que o aguardavam. Perguntou novamente sobre o colégio, perguntou de mim… E eu ali, sem saber como agir, o que falar. Era (e ainda é) surreal imaginar que meu ídolo estava ali, conversando comigo. Naturalmente, pedi que Ele autografasse minha camisa e para tirar uma foto.

O jogo daquele dia, felizmente, eu não me lembrava. Perdemos por 4×2, de virada, para o Atlético – PR, o mesmo adversário que, pouco mais de dois meses antes, tinha perdido a final da Libertadores para nós. Duas rodadas depois, o São Paulo voltou a Curitiba para enfrentar o Paraná Clube, mas não fui ao hotel. Em compensação, vi Rogério Ceni abrir o placar, de falta, na goleada por 4 a 0.

No ano seguinte, fui ao hotel novamente e Ele já me reconheceu. E assim foi, ano após ano, jogo após jogo. Sempre estava eu lá, para recepcionar o time e, claro, rever Rogério Ceni. Por mais estranho que isso possa parecer, já ficou natural encontrá-lo. Dia 30 de junho desse ano, estava lá, como sempre. Minha mãe, por causa do trabalho, não pôde ir e Ele, depois de me cumprimentar, pergunta: “Cadê sua mãe?”. Pois é, 10 anos depois, meu maior ídolo pergunta onde está minha mãe. Não é que tenha perdido o encanto, apenas se tornou normal. Se antes eu mal conseguia falar com Ele por conta do nervoso, hoje, nosso maior ídolo já pergunta como estou e ainda manda beijo para minha mãe.

Nascida em 1995, nunca vi outro goleiro defender o São Paulo. De lá para cá, cresci e aprendi a admirar ainda mais a pessoa Rogério Ceni. O profissional, o M1TO, é indiscutível. Ele é e será, para sempre, o melhor e maior goleiro de todos os tempos do futebol mundial.

Obrigada, Rogério. #M1TO25

Larissa Nunca tive escolha, fui doutrinada para ser são-paulina. Era ninada com o hino do time e logo aos dois anos, se ouvisse fogos de artifício, começava a comemorar o gol do São Paulo. Tenho absurda admiração por aquele que é o maior jogador e ídolo de todos os tempos: Rogério Ceni.