Home colunas Banco de Reservas A última vez que encontrei com o M1TO
A última vez que encontrei com o M1TO

A última vez que encontrei com o M1TO

277
0

Por: Larissa Raysel (@LariRaysel)

Se existe uma coisa que o dinheiro não paga, é chegar perto de alguém que você tanto gosta. Um cantor, um escritor ou, no meu caso, um goleiro. Um não. “O” goleiro. Já contei sobre isso aqui e não vou falar aqui sobre como comecei a encontrar com Ele, mas sim, como foi a provável última vez em que o encontrei ainda como jogador do São Paulo.

Quem convive comigo sabe quanto Rogério Ceni representa para mim. Ele não é apenas o maior goleiro do mundo e, para mim, o maior ídolo da história do clube. Ele não é apenas o cara que representa o que é o São Paulo Futebol Clube. Ele sempre foi referência de determinação na minha vida e, em 10 anos, eu nunca tinha falado isso para Ele. Mais que importante para mim, sei quão feliz Ele fica com essa relação jogador x torcedor.

Jogadores chegam ao hotel e o M1TO logo vem em minha direção, me cumprimentar. Aquela coisa meio rápida, eles sempre sobem correndo para os quartos. Ainda conversando com ele, ao olhar para trás, tinha uma máquina pronta para uma foto, que foi essa que está ilustrando a coluna. (Mais uma vez, muito obrigada, Chiri!)

O ano de 2015 marca 10 anos desde quando eu comecei a acompanhar futebol. Dez anos do tri Mundial e tri da Libertadores. Dez anos também que eu conheço Rogério Ceni.  Aquele encontro na chegada do hotel não teve tempo suficiente para que eu pudesse falar para ele tudo o que queria. “Não tem problema, eu espero”, e nada. O jeito seria esperar o café da manhã e tentar novamente a sorte. Com a ajuda da minha mãe, que foi quem me fez são-paulina, consegui um quarto no mesmo hotel do time para mim e para minha amiga.

Café da manhã. Rogério, o atacante, desce. Doriva também. Renan Ribeiro. Alan Kardec. Rogério Ceni? Nada. Eu já tinha perdido as esperanças. O 2015 se encerraria sem meu já tradicional “Obrigada, Rogério”. Mas decidi tentar uma última vez. Hora do almoço, subo ao restaurante. Dois minutos depois, Ele aparece. E eu tremia muito.

Antes de tudo, pedi desculpas por estar tremendo tanto. Ele ri e fala que tudo bem. Pedi para assinar minha camisa. Pedi desculpas pelo 2015 horroroso dentro e fora de campo e ele apenas baixou a cabeça e consentiu. Agradeci pelos 25 anos, por tudo o que fez e faz pelo São Paulo. Agradeci pelos 10 anos de tanto carinho comigo. Falei tudo o que ele representava para mim. Do exemplo de vida. E ele ali, sorrindo, agradecendo por tudo. Antes de me despedir, falei que tinha feito uma “pequena homenagem” e mostrei a minha tatuagem, feita depois da vitória por 0 x 3 na Copa do Brasil contra o Ceará. Em 10 anos, eu juro, não tinha visto ele abrir um sorriso tão sincero. Pegou na minha mão e “obrigado, muito obrigado, obrigado mesmo” e me deu um abraço que ficará para sempre guardado no meu coração.

Para fechar com chave de ouro, no seu último jogo no estado em que nasceu, Rogério fez duas monstruosas defesas e que ajudaram a garantir nossa vitória. Dois milagres.

Ano passado, depois de um jogo também contra o Coritiba aqui em Curitiba, ainda não era dada como certa sua aposentadoria, mas era quase certeza, e ao vê-lo entrando no ônibus rumo ao aeroporto, não me contive e chorei copiosamente. Dessa vez, mesmo com a certeza de sua saída, não chorei. Eu tremia muito, mas o abracei o mais forte que pude. O meu sorriso e minha felicidade de saber que eu tive a chance de estar perto e de ter visto o maior do mundo jogar são maiores que tudo.

Essa foto, uma das mais lindas entre tantas que tenho com Ele, certamente ganhará espaço em um porta-retrato lá em casa. Para sempre, para o mundo, o maior e o melhor goleiro. Para sempre, para mim, a melhor pessoa que eu já conheci. Para sempre M1TO. Obrigada por tudo, Rogério.

 

Larissa Nunca tive escolha, fui doutrinada para ser são-paulina. Era ninada com o hino do time e logo aos dois anos, se ouvisse fogos de artifício, começava a comemorar o gol do São Paulo. Tenho absurda admiração por aquele que é o maior jogador e ídolo de todos os tempos: Rogério Ceni.