Home 2018 Corinthians 2 X 1 São Paulo – 4ª rodada
Corinthians 2 X 1 São Paulo – 4ª rodada

Corinthians 2 X 1 São Paulo – 4ª rodada

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Por: Gabriel Perecini (@perecenispfc01)

Apesar da boa vitória contra o Mirassol, a primeira em 2018, o São Paulo chegou ao clássico sob desconfianças, especialmente de sua torcida, que ainda não consegue confiar no trabalho que vem sendo feito com o time e cobra um imediatismo pouco coerente.

Os titulares foram os mesmos do jogo de três dias antes, com Diego Souza, ainda fora de forma, e sem Cueva, que seguia de fora pelos repetidos casos de indisciplina e pouco comprometimento. Anderson Martins seguiu como titular, já que Arboleda ainda não se recuperou totalmente da contusão na coxa direita.

O São Paulo começou o clássico da pior maneira possível. Deu a saída de bola e, seis segundos depois, com apenas um toque (o inicial), havia se livrado dela, com um chutão de Anderson Martins para ninguém. Em um time que gosta de ter a posse, a decisão do camisa 4 não fez sentido. Cerca de 57 segundos depois, o time saiu atrás no marcador.

A devolução de bola gerou uma saída pela direita de defesa do Tricolor, onde aconteceram diversos erros. Militão avançou para dar desnecessário combate e tomou nas costas; Rodrigo Caio precisou sair para fazer a cobertura, mas Jucilei não fez o mesmo e deixou o meio completamente escancarado. A bola passou tranquila para Rodriguinho receber na meia-lua e, de primeira, servir Jadson, que se infiltrou livremente no buraco da defesa para tocar na saída de Sidão e abrir o placar.

Pelo momento das duas equipes, paz de um lado e pressão absoluta de outro, além do desempenho recente em clássicos, principalmente fora de casa, era esperado que o time de Dorival sentisse aquele gol e se abalasse, o que aconteceu de maneira discreta e por cerca de dez minutos. Nesse período, o Corinthians conseguiu encontrar jogadores entre as linhas de marcação são-paulinas, mas que não levaram perigo, e a equipe do Morumbi pouco conseguiu ter a bola, sua característica.

Passado esse tempo, o São Paulo cresceu e passou a conseguir trocar passes no campo do adversário. Em um desses momentos, já aos 24 minutos, Shaylon recebeu próximo à entrada da área e arriscou. A bola pegou na parte de dentro da trave e não entrou; no rebote, no canto da área, Brenner mandou para fora.

Um minuto depois, Militão ganhou boa bola pela direita e avançou. Acompanhado por Petros e Marcos Guilherme, que se aproximaram para dar opção e atrapalhar a marcação, o camisa 13 tabelou com o volante e cruzou rasteiro, em diagonal. Brenner acompanhou com perfeição e completou no bico da pequena da área, pelo lado oposto, para empatar o jogo. Na única jogada de aproximação pelos lados, o Tricolor chegou ao empate.

Os dez minutos seguintes foram equilibrados. O Corinthians buscava infiltrações com Jadson e Rodriguinho e o São Paulo buscava desafogar quase sempre com Marcos Guilherme. Aos quase 33′, o lance que decidiria o jogo: após escanteio da esquerda, Anderson Martins se confundiu na marcação e deixou Balbuena, o melhor cabeceador do adversário, completamente livre para testar forte e devolver a vantagem aos mandantes. Erro grotesco do camisa 4.

As principais dificuldades do primeiro tempo foram, novamente, a pouca participação de Shaylon, com Petros jogando muitas vezes mais avançado que o camisa 20, e o pouco ritmo de Diego Souza, que ainda não consegue fazer bem a parede e chamar o time para frente. Aliás, essas falhas foram marcas durante todo o jogo.

O São Paulo voltou com os mesmos jogadores para a segunda etapa, mas com uma postura melhor. O time encurralou o adversário nas proximidades da sua área, não permitindo contra-ataques ou que o rival avançasse um pouco a linha de marcação. Por mais que se defender seja a confortável para as características do time de Carille, o cerco e a impossibilidade de contra-atacar geravam desconforto.

Em uma dessas trocas de passes, o São Paulo ficou quase (ou mais de) um minuto com a bola, girando o jogo e buscando espaços, sem rifar. Jucilei, então, fez ótimo lançamento longo, em diagonal, para Marcos Guilherme infiltrar pela direita. O camisa 23 tocou de primeira para Brenner e Pedro Henrique tirou a bola em cima da linha, antes que o garoto pudesse tocar e fazer seu segundo gol no jogo. Um minuto depois, um lance idêntico: de Jucilei para Marcos Guilherme, que fez o gol. O bandeirinha, porém, anulou por impedimento. Na minha visão, mesma linha e gol legal. No vídeo do lance, inclusive, o auxiliar fala “desculpa” duas vezes no rádio de comunicação entre os árbitros (veja aqui, no penúltimo vídeo).

Foram as melhores chances são-paulinas no segundo tempo. Depois, houve dificuldade em criar e o time foi ficando sem pernas. Dorival tentou apostar nos garotos Caique e Paulo Bóia, que foram bem no jogo anterior, mas foram pouco efetivos. Caíque não conseguiu repetir a boa atuação, sendo tímido nas jogadas e não encarando a marcação, e Paulo Bóia desperdiçou a última grande oportunidade, finalizando de primeira uma bola à meia altura, dentro da área, mas para o chão.

O resultado foi ruim, mas novamente a atuação da equipe foi melhor que o placar. Houve evolução, principalmente nas jogadas em diagonal, uma das grandes armas dos times de Dorival. A pressão, porém, segue aumentando e quarta-feira há a estreia na Copa do Brasil, contra o Madureira, em Londrina. O São Paulo joga pelo empate, então uma eliminação pode mudar drasticamente o rumo do departamento de futebol para 2018, assim como uma classificação suada pode colocar a comissão técnica na berlinda já em janeiro.

 

O melhor: Militão. Apesar do erro no primeiro gol, não foi o principal responsável por ele ter acontecido. Jucilei, maior responsável, teria sido o melhor se não fosse essa falha. Ao garoto, conseguiu a assistência e foi seguro no restante da partida.

O pior: Anderson Martins. Errou com seis segundos, ao dar a bola ao adversário, iniciando o lance do primeiro gol, e teve falha gritante no segundo. No primeiro tento, podia ter tentando interceptar o passe antes da bola chegar em Rodriguinho.

 

FICHA TÉCNICA (via Lancenet!)

CORINTHIANS 2 X 1 SÃO PAULO

Local: Pacaembu, em São Paulo (SP)

Data: 27/1/2018

Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza

Auxiliares: Daniel Paulo Ziolli e Luiz Alberto Andrini Nogueira

Público e renda: 31.972 pagantes / R$ 1.278.027,50

Cartões amarelos: Gabriel, Romero, Júnior Dutra e Jadson (COR); Jucilei, Petros e Diego Souza (SPO)

Gols: Jadson, aos 1’/1ºT (1-0); Brenner, aos 25’/1ºT (1-1); Balbuena, aos 32’/1ºT (2-1)

Corinthians: Cássio, Fagner, Balbuena, Pedro Henrique e Juninho Capixaba (Guilherme Romão, aos 42’2ºT); Gabriel; Romero, Jadson, Rodriguinho (Maycon, aos 35’/2ºT) e Clayson; Kazim (Júnior Dutra, aos 15’/2ºT). Técnico: Fábio Carille

São Paulo: Sidão, Militão, Rodrigo Caio, Anderson Martins e Edimar (Reinaldo, aos 34’/2ºT); Jucilei, Petros e Shaylon (Paulo Boia, aos 30’/2ºT); Marcos Guilherme, Brenner (Caíque, aos 13’/2ºT) e Diego Souza. Técnico: Dorival Júnior

 

*Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Perecini São-paulino desde 1930, antes de nascer. Uma vida inteira dedicada a amar, incondicionalmente, o Clube da Fé. Nas prioridades da vida, primeiramente vem o Clube e, depois, o resto. Devoto Dele: Rogério Ceni. "Dentre os grandes, és o primeiro". Ídolos: Rogério Ceni, Raí e Telê.